Uma reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times detalha a consolidação do controle da facção criminosa Comando Vermelho em Fortaleza, Ceará. O texto aponta que o grupo expandiu seu domínio territorial e econômico, intensificando a prática de extorsões e exercendo influência sobre estruturas de poder local.
O levantamento revela um contraste nos indicadores de segurança da capital cearense. Em 2025, Fortaleza registrou uma queda de aproximadamente 8% no número de homicídios em comparação ao ano anterior. Já em fevereiro de 2026, o índice mensal de assassinatos atingiu o patamar mais baixo desde 2009. Contudo, a redução da letalidade não impediu o avanço de outras modalidades criminosas: entre 2024 e 2025, mais de 200 famílias foram expulsas de suas residências por ordem da facção.
Conforme a publicação, o Comando Vermelho impôs um sistema de vigilância constante e cobranças regulares a comerciantes e prestadores de serviços. O grupo também passou a controlar atividades como o transporte informal e setores do comércio local. Relatos colhidos pela reportagem indicam que, em determinados bairros, moradores afirmam confiar mais nas regras impostas pela facção do que na atuação do Estado, manifestando medo de denunciar crimes às autoridades.
O Financial Times descreve a atuação do grupo como análoga a métodos terroristas, com interferência direta em disputas políticas e organizações comunitárias. A reportagem destaca ainda o papel estratégico do Ceará no tráfico internacional de drogas. Devido à sua localização geográfica e robusta estrutura portuária, o estado consolidou-se como um dos principais pontos de escoamento de cocaína com destino à Europa, fator que atrai o interesse e a fixação de grandes organizações criminosas na região.







