Um novo levantamento do Datafolha, realizado entre 3 e 5 de março de 2026, revela uma crise de credibilidade sem precedentes no Brasil. Das oito instituições pesquisadas, sete apresentaram piora nos índices de confiança ou avaliação em relação a dezembro de 2024. O ceticismo atinge desde os Três Poderes até a imprensa e as Forças Armadas.
Os partidos políticos permanecem na lanterna do ranking, com 52% de desconfiança total. No entanto, o desgaste mais acentuado foi observado no Congresso Nacional, que atingiu níveis recordes de insatisfação: 45% dos brasileiros não confiam na instituição, e apenas 5% afirmam confiar muito.
A avaliação positiva (ótimo/bom) do Congresso desabou de 21% para 14% em pouco mais de um ano. O perfil da desaprovação revela recortes específicos: Escolaridade – A insatisfação é maior entre os mais instruídos (apenas 10% de aprovação); Renda – Brasileiros com renda entre 5 e 10 salários mínimos são os mais críticos (46% de ruim/péssimo); Alinhamento Político – A desaprovação do Congresso é mais forte entre quem também desaprova o governo federal (44%).
A erosão da confiança não poupou o Executivo nem o Judiciário. A desconfiança na Presidência da República saltou de 36% para 43%, enquanto o Poder Judiciário e o STF bateram seus recordes históricos de descrédito, com 36% e 43% de desconfiança, respectivamente.
As Forças Armadas também registraram seu pior momento na série histórica. Após as condenações de militares em 2025 relacionadas à tentativa de golpe de Estado, o índice de confiança plena recuou para 26%, o menor patamar já medido pelo instituto.
A crise de percepção se estende à imprensa, onde a desconfiança subiu de 28% para 36%, e às grandes empresas, que viram o descrédito saltar de 20% para 26%.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios e possui margem de erro de dois pontos percentuais. Os dados refletem um ambiente de pessimismo generalizado com as estruturas que sustentam a democracia e a vida pública nacional.







