Uma pesquisa realizada pelo King’s College em 29 países aponta que 70% dos brasileiros consideram excessiva a exigência sobre os homens para apoiar a igualdade de gênero. O índice registrado no Brasil é o mais alto do levantamento, empatado com a Índia, e supera a média global de 46%. Entre os brasileiros que concordam com essa visão, 71% são mulheres e 69% são homens.
O estudo indica que 52% dos participantes no país avaliam que a igualdade de direitos entre homens e mulheres avançou o suficiente, um crescimento de dez pontos percentuais em relação a 2019. Além disso, 43% dos entrevistados acreditam que a promoção da igualdade resultou em discriminação contra os homens. Essa percepção é compartilhada por 50% dos homens e 36% das mulheres. No Brasil, 38% dos respondentes se identificam como feministas.
Globalmente, o levantamento revela que homens da Geração Z apresentam visões mais conservadoras sobre papéis de gênero do que a geração Baby Boomer. Entre os mais jovens, 31% concordam que a esposa deve obedecer ao marido, contra 13% dos boomers. Ainda na Geração Z, 59% sentem que os homens são excessivamente cobrados pela igualdade, enquanto 41% afirmam considerar atraentes mulheres com carreiras de sucesso.
O cenário é acompanhado pela ascensão de influenciadoras digitais que promovem papéis tradicionais e por lideranças políticas com bases em movimentos cristãos e conservadores. A ex-primeira-ministra australiana Julia Gillard, do Global Institute for Women’s Leadership, relaciona a popularidade de modelos tradicionais, como o das tradwifes, ao cansaço feminino em conciliar trabalho e família. A pesquisa sugere que tensões sobre o papel de provedor persistem, com 21% dos homens da Geração Z associando o cuidado com os filhos a uma menor masculinidade.






