A escalada do conflito no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã pode atingir principalmente as exportações brasileiras de frango e milho, principais produtos vendidos pelo Brasil à região. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) indicam que o Oriente Médio comprou US$ 3 bilhões em carne de frango brasileira no ano passado, o equivalente a 34,8% das vendas externas do produto. No caso do milho, foram US$ 2,7 bilhões, ou 32,4% do total exportado. O açúcar aparece em seguida, com 16,8% das exportações destinadas à região.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que monitora possíveis impactos logísticos e avalia rotas alternativas, já utilizadas em crises anteriores. Segundo a entidade, não há embarques significativos de carne de frango para o Irã no momento. Em 2025, as vendas brasileiras ao Oriente Médio somaram US$ 16,1 bilhões, 4,6% do total exportado pelo país. Para o Irã, as exportações atingiram US$ 2,9 bilhões, ou 0,83% do total.
Ao lado das importações, fertilizantes estão entre os principais itens adquiridos da região, com US$ 2,2 bilhões no ano passado, o equivalente a 14,4% do total importado do produto. As compras de petróleo e derivados somaram US$ 3,1 milhões, ou 10,2% do total importado. No geral, o Brasil importou US$ 7,1 bilhões do Oriente Médio em 2025, 2,5% das aquisições externas.
Para especialistas, o impacto dependerá da duração do conflito. Segundo o jornal Financial Times, seguradoras informaram armadores sobre cancelamento de apólices e aumento de prêmios para embarcações que trafeguem pelo golfo Pérsico e pelo estreito de Hormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo.






