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Maior estudo genético do mundo classifica transtornos mentais em cinco grupos biológicos

Estudo genético na revista Nature identifica cinco grupos de transtornos mentais. Pesquisa com participação da USP e Unifesp pode revolucionar tratamentos.

Maior estudo genético do mundo classifica transtornos mentais em cinco grupos biológicos

Estudo genético na revista Nature identifica cinco grupos de transtornos mentais. Pesquisa com participação da USP e Unifesp pode revolucionar tratamentos.

Um consórcio internacional de pesquisadores publicou na revista Nature o maior estudo genético já realizado sobre saúde mental. A pesquisa comparou variantes genéticas comuns em 14 condições psiquiátricas, classificando-as em cinco grandes grupos que compartilham características biológicas entre si. O trabalho, que contou com a participação de cientistas da USP e da Unifesp, revela que transtornos distintos podem representar um contínuo biológico.

Conforme Diego Luiz Rovaris, professor do ICB-USP, o estudo confirma evidências clínicas. Um exemplo é a relação entre esquizofrenia e transtorno bipolar, que compartilham 80% das variantes genéticas e foram agrupadas no mesmo fator biológico.

A pesquisa organizou os transtornos da seguinte forma: Fator 1 (Compulsivos), Inclui anorexia nervosa e TOC; Fator 2 (Psicóticos), Reúne esquizofrenia e transtorno bipolar, ligados a genes expressos em neurônios excitatórios; Fator 3 (Neurodesenvolvimento), Engloba TEA e TDAH, com genes que atuam precocemente no desenvolvimento cerebral; Fator 4 (Internalizantes), Depressão e ansiedade. Os genes deste grupo estão ligados às células da glia (suporte), e não diretamente aos neurônios; Fator 5 (Abuso de substâncias), Relacionado ao uso de álcool, nicotina e opioides, apresentando forte associação com indicadores socioeconômicos.

Apesar do avanço, os pesquisadores Sintia Belangero (Unifesp) e Rovaris alertam para a falta de diversidade nos dados: cerca de 85% dos participantes de pesquisas em genética psiquiátrica têm ancestralidade europeia. Grupos brasileiros agora trabalham para incluir dados da população latino-americana em consórcios globais.

A descoberta de um “fator P” — conjunto de variantes genéticas comum a todas as 14 condições — abre caminho para o reposicionamento de fármacos. Isso permitirá que medicamentos aprovados para um transtorno sejam aplicados em outros com base na biologia compartilhada.

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