Quase 25% da comitiva que acompanhará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas viagens para Índia e Coreia do Sul representam os interesses de empresas ligadas ao setor agropecuário. No total serão 315 pessoas na comitiva acompanhando Lula, destes, 77 são ligados ao agro.
Essa presença dá o tom de quais serão os principais objetivos da comitiva empresarial na Ásia. A expectativa é de costurar acordos para expandir a presença do agro brasileiro nos mercados indiano e sul-coreano. Na Índia, o foco principal será a abertura para novos mercados, principalmente na venda de grãos e carne aviária.
Nenhum desses itens, expressivos nas exportações brasileiras em diversos mercados do mundo, são fortes na Índia. Segundo a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), nem a soja e nem a carne de frango figuram entre os 10 produtos brasileiros mais vendidos no país. A abertura do mercado indiano para a soja é um dos grandes desejos do Brasil na viagem. As exportações dos grãos bateram recorde no ano passado, puxado por um maior volume de vendas para a China, que por sua vez apostou no produto brasileiro para substituir a soja dos Estados Unidos, com quem trava uma guerra comercial.
Outras oportunidades que a ApexBrasil identificou no mercado indiano são: combustíveis minerais, máquinas e equipamentos de transporte e bebidas. No ano passado, as transações entre o Brasil e a Índia registraram um volume recorde de US$ 6,9 bilhões. Desde 2021, as exportações brasileiras para o país cresceram 9,4% ao ano.
Já na Coreia do Sul, o foco será a abertura do mercado de carnes bovinas. O Brasil ainda não tem acordo sanitário para a exportação do produto para o país, que historicamente compra de nações como Austrália e Nova Zelândia. Conseguir a abertura desse mercado seria uma vitória para o setor agropecuário brasileiro, que está pressionado pela decisão da China de criar uma cota de importação para a carne brasileira.






