Pesquisadores confirmaram novos avanços relacionados ao método CRISPR-Cas9, tecnologia desenvolvida e aprimorada ao longo da década de 2010 que permite alterações precisas no DNA. A ferramenta funciona de forma semelhante a um editor de texto aplicado ao material genético, possibilitando o corte e a substituição de trechos específicos com alto grau de precisão e relativa simplicidade técnica.
Apesar do potencial, o uso da tecnologia em embriões humanos permanece entre os temas mais sensíveis da ciência atual, envolvendo questões científicas, éticas e jurídicas. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em 2018, quando o cientista chinês He Jiankui anunciou o nascimento de duas bebês, identificadas pelos pseudônimos “Lulu” e “Nana”, cujo genoma foi alterado ainda na fase embrionária com o objetivo de torná-las imunes ao HIV.
Uma nova linha de pesquisa amplia esse debate. No ano passado, o cientista japonês Ryotaro Hashizume, da Universidade de Mie, liderou um estudo que demonstrou a possibilidade de remover, em células cultivadas em laboratório, o cromossomo 21 extra associado à Síndrome de Down. O trabalho foi realizado em parceria com pesquisadores da Universidade de Saúde de Fujita e publicado na revista científica PNAS Nexus.
O estudo aplicou a técnica CRISPR-Cas9 em células derivadas de células-tronco e em fibroblastos da pele. De acordo com os autores, a remoção do cromossomo adicional permitiu restaurar a expressão genética considerada normal, sem comprometer a estrutura celular. Os resultados apontam um possível caminho para o desenvolvimento de futuras abordagens terapêuticas.
A Síndrome de Down ocorre quando há uma cópia extra do cromossomo 21, condição conhecida como trissomia 21. No Brasil, a estimativa é de um caso a cada 700 nascidos vivos. Em nível global, a incidência é de aproximadamente um caso a cada 1.000 nascimentos.







