A poucos meses do início da corrida eleitoral de 2026, o ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (Rep) afirma que o país caminha para repetir o mesmo roteiro de 2022. Para ele, a próxima disputa presidencial não será definida por projetos ou virtudes, mas pela capacidade de impor maior rejeição ao adversário, especialmente em um cenário ainda dominado pela polarização entre Lula e Bolsonaro.
“Qualquer um tem chance de vencer essa eleição no 2º turno contra o Lula, desde que a rejeição do Lula pareça para o eleitor maior que a do oponente. Não é uma eleição de virtudes, mas de rejeição”, disse ele entrevista ao portal Poder360.
Na avaliação dele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) erra ao apostar no confronto e ao falar prioritariamente para a própria base, em vez de buscar ampliar seu eleitorado. Segundo Cunha, a promessa de pacificação feita na campanha não se concretizou, e os gestos do governo têm aprofundado divisões políticas e sociais. “Ele foi eleito justamente pela rejeição dele ter sido menor que a do Bolsonaro naquele momento. Em outras circunstâncias, jamais voltaria ao poder” disse.
Além do cenário eleitoral, Cunha faz um alerta sobre os efeitos de uma eventual decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que declare inconstitucionais as emendas impositivas. Para ele, a medida teria impacto direto na relação entre a Presidência e Congresso Nacional e abriria espaço para uma reação política de grandes proporções. “Se o nosso orçamento for todo impositivo, não há necessidade de ter emenda impositiva, porque quem aprova o orçamento é o Congresso. Eu acho que essa tem que ser a reação se isso acontecer. Todo o orçamento será impositivo, compulsório, sem permitir que o governo remaneje por decreto” disse Eduardo.







