Ángela Vivanco, ex-ministra da Suprema Corte do Chile, oi presa em Santiago, sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. Destituída do cargo em outubro de 2024, Vivanco é investigada pelo Ministério Público no caso conhecido como “trama belarrusa”, que apura decisões judiciais que beneficiaram o consórcio chileno-belorrusso Belaz Movitec em litígio contra a estatal chilena Codelco.
Segundo a investigação, as decisões resultaram em prejuízo estimado de cerca de US$ 20 milhões à Codelco. A prisão ocorreu na residência da ex-magistrada e já era esperada, de acordo com a imprensa local, uma vez que o inquérito tramita há mais de um ano. Vivanco exerceu o cargo na Suprema Corte entre 2018 e 2024 e nega ter recebido pagamentos ilícitos.
O caso também envolve o companheiro da ex-ministra, Gonzalo Migueles, preso desde outubro do ano passado, apontado pela Promotoria como destinatário dos valores investigados. Os advogados Eduardo Lagos e Mario Vargas, que atuaram em favor da Movitec no processo contra a Codelco, também respondem à ação penal e permanecem detidos. A apuração indica que a relação entre eles e Vivanco não foi declarada durante a análise do caso.
A prisão aprofundou a crise no Judiciário chileno e é considerada inédita por envolver uma ex-integrante do mais alto tribunal do país. A destituição de Vivanco ocorreu após seu nome surgir em mensagens relacionadas a outra investigação e após a Suprema Corte apontar irregularidades funcionais e conduta inadequada no processo envolvendo a Codelco.
À época, o então presidente do tribunal, Ricardo Blanco, afirmou que Vivanco não manteve comportamento compatível com o cargo, justificando sua remoção. A porta-voz do governo, Camila Vallejo, classificou o episódio como “o maior caso de corrupção da história recente” do Chile. Vivanco foi indicada à Suprema Corte em 2018 pelo governo do ex-presidente Sebastián Piñera e teve seu nome aprovado pelo Senado.







