Em todo ano eleitoral o “modelo sueco” de sociedade surge e passeia conceitualmente pelo debate público no Brasil. Diversas pessoas aparecem justificando sua posição de “voto à esquerda” como a busca por um país mais parecido com a Suécia – dizendo que o modelo escandinavo é uma espécie de “socialismo que deu certo“. Não! A Suécia não é uma espécie de socialismo que deu certo.
A Suécia é uma Monarquia Parlamentar Protestante, com variedade de partidos, alternância de poder, uma igreja evangélica paraestatal (era estatal até 2000) e uma extensa proteção a direitos civis, como a liberdade de discurso, tendo sido o primeiro país a extinguir a censura em 1766. No campo econômico a Suécia também possui direitos trabalhistas relativos (não existe salário mínimo, por exemplo) e o que chamamos de Justiça do Trabalho lá é realizada por uma espécie de júri popular composto por empregadores e patrões.
O país também possui forte liberdade para empreender, com uma vasta proteção ao direito de propriedade (não existe “função social de propriedade”, por exemplo), além de impostos mais baixos que no Brasil sobre pessoas jurídicas e sobre consumo. Também não existe impostos sobre grandes fortunas ou heranças e os chamados benefícios sociais (como o nosso Bolsa Família) estão atrelados a um tempo limitado de recebimento e a procura por ativa por emprego.
Outra dado interessante é que a maioridade penal na Suécia é de 15 anos e atualmente eles discutem reduzir para 13 anos em casos de crimes graves. Já a pena para assassinato é de no mínimo 10 anos e em geral fica por volta de 18 anos. Em situações especialmente graves a pena pode ser perpétua. Internação involuntária para usuários recorrentes de drogas que se recusem a fazer tratamento voluntário completam o pacote.
No campo das relações diplomáticas, o país está alinhado militar e politicamente aos Estados Unidos, através da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e alinhada a Europa, através da União Europeia (UE).
Depois de ler tudo isso, é impossível acreditar que a Suécia é essa espécie de “socialismo que deu certo”. Então de onde veio esse mito que aparece em toda eleição presidencial brasileira? Bem, encurtando a longa resposta, veio do interesse político de partidos, influenciadores e políticos de esquerda no Brasil.
A Suécia e os outros países escandinavos (Noruega, Dinamarca, Finlândia e Islândia) possuem um sistema chamado “de bem-estar social“, contando com assistência, educação e saúde pública de qualidade. Como o Brasil é carente de referências, partidos e candidatos de esquerda costumam se apoiar nessa narrativa para defender mais impostos e gastos públicos indiscriminados.
Eles vinculam suas propostas e o voto “à esquerda” como maneira de reproduzir a riqueza escandinava por aqui. Na contramão disto entretanto, suas ideias apenas reproduzem no discurso o modelo sueco, já que eles atrelam a saúde, assistência e educação públicas de qualidade a riqueza daquele país, mas não o resto do modelo econômico e social.
Defesa da monarquia? Nem pensar. Defesa de valores cristãos enraizados? De jeito nenhum. Direitos trabalhistas flexíveis? Never! Menos impostos? NUNCA! Estado menor e eficiente? Jamais! Leis e penas mais duras para criminosos? Nops! Benefícios sociais por tempo limitado e apenas para quem procura emprego? Nunquinha. Internação compulsória para usuários de drogas? Não, não e não.
Em resumo, não só é mentira que a Suécia é “o socialismo que deu certo“, como a esquerda brasileira também não defende o modelo daquele país, apenas esconde suas verdadeiras ideias atrás dele.







