Em sua mensagem para o Dia das Comunicações Sociais, o Papa Leão XIV afirmou que “O rosto e a voz são traços únicos, distintivos, de cada pessoa; manifestam a própria identidade irrepetível e são o elemento constitutivo de cada encontro (…) O rosto e a voz são sagrados. Foram-nos doados por Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele próprio nos dirigiu”.
O Pontífice continuou sua mensagem recordando que preservar rostos e vozes humanas significa preservar o reflexo indelével do amor de Deus. Ele também lembrou “Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos, definidos antecipadamente. Cada um de nós tem uma vocação insubstituível e inimitável que emerge da vida e que se manifesta precisamente na comunicação com os outros”.
Para o líder da Igreja Católica o desafio, portanto, não é tecnológico, mas antropológico. “Preservar rostos e vozes significa, em última instância, preservar nós mesmos. Acolher com coragem, determinação e discernimento as oportunidades oferecidas pela tecnologia digital e pela inteligência artificial, não significa esconder de nós mesmos os pontos críticos, as opacidades e os riscos” diz o Papa.
Ele adverte que se falharmos nessa preservação, a tecnologia digital corre o risco de modificar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civilização humana, que por vezes damos como certos. Ao simular vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consciência e responsabilidade, empatia e amizade. Para ele, os sistemas conhecidos como inteligência artificial não apenas interferem nos ecossistemas informativos, mas invadem também o nível mais profundo da comunicação – o da relação entre as pessoas.







