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Universidade Federal desliga mestranda após polêmica sobre pesquisa racial

UFF desligou pesquisadora de mestrado após repercussão de estudos sobre parditude; universidade afirma que decisão seguiu regras regimentais.

Universidade Federal desliga mestranda após polêmica sobre pesquisa racial

UFF desligou pesquisadora de mestrado após repercussão de estudos sobre parditude; universidade afirma que decisão seguiu regras regimentais.
Foto: Reprodução/ Blog Parditude

A Universidade Federal Fluminense (UFF) foi acusada de ter desligado uma pesquisadora do programa de mestrado em Cultura e Territorialidades após a repercussão de sua linha de estudos nas redes sociais. Beatriz Bueno, de 28 anos, pesquisava o conceito de parditude, que propõe a centralidade da identidade parda no debate racial e defende que pardo não é negro. O tema é alvo de críticas de setores do movimento antirracista.

Segundo a pesquisadora, a decisão foi comunicada em uma reunião on-line em dezembro, nove meses após o início do curso. Beatriz afirma que passou a sofrer perseguição dentro da universidade após a repercussão negativa de seus vídeos sobre o tema, que ganharam visibilidade nacional depois de serem citados pelo rapper Mano Brown em um podcast, em maio do ano passado. A UFF nega que o desligamento tenha relação com o conteúdo da pesquisa.

Especialistas criticam o conceito de parditude por considerarem que ele fragmenta o movimento negro e representa um retrocesso no combate ao racismo. Beatriz também enfrentou rejeição em outros debates ao defender que mulheres são definidas apenas por critérios biológicos, posição classificada como transfóbica por integrantes do movimento trans.

Conforme a pesquisadora, a universidade apresentou três justificativas para o desligamento: ausência de orientador, faltas em eventos acadêmicos e reprovação em uma disciplina. Ela contesta os argumentos, afirmando que poderia cumprir as exigências até o fim do curso e que o regimento prevê desligamento apenas em caso de reprovação em duas disciplinas. Beatriz diz ainda que teve a bolsa suspensa e que não lhe foi garantido o direito à ampla defesa.

A estudante relata ter denunciado ameaças de colegas à ouvidoria da UFF e afirma que o ambiente acadêmico lhe causou abalo psicológico. Apesar do desligamento, diz que pretende continuar a pesquisa em outra instituição.

Em nota, a UFF informou que o desligamento ocorreu por descumprimento de regras previstas no regimento do programa de pós-graduação, especialmente quanto à participação e aprovação em atividades obrigatórias, e que a decisão não teve relação com o tema da pesquisa desenvolvida.

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